quinta-feira, 18 de março de 2010

Resistir, ou partir?


A agitação social que varreu o país, a seguir ao 25 de Abril, estendeu-se aos estabelecimentos de ensino. Deixou de haver aulas nas escolas primárias, assim como nos liceus e nas instituições do ensino superior.
O liceu Pedro Nunes, onde Rómulo de Carvalho leccionava, não escapou à confusão geral. A poucos meses da aposentação, decidiu antecipá-la e retirou-se do ensino:


"Não se conseguia fazer nada. Os rapazes não deixavam. Andava tudo numa grande turbulência. O liceu estava guardado por rapazinhos de lá. Rapazitos, adolescentes. Tinham um pauzinho na mão e quando eu chegava à porta um deles batia-me com o pauzinho no ombro e dizia assim: — Este pode entrar —. E eu entrava e ia até ao laboratório fazer qualquer coisa. Mas não era para dar aulas, porque ninguém aparecia. (...)

Não acredito nos seres humanos. Não acredito na capacidade dos homens fazerem qualquer coisa socialmente boa, só são capazes de fazer qualquer coisa segundo os seus interesses pessoais. Ou seja fascismo, ou seja democracia, os homens ou aproveitam a dureza do fascismo para obrigarem os outros a fazerem aquilo que desejam, ou aproveitam a liberdade das democracias para fazerem o que podem em seu proveito."


Ai Heráclito, que se pode entrar duas vezes no mesmo rio.


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